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O termo vinó
era utilizado tanto para designar o vinho de uvas como o destilado
de cereal. Entre os séculos XV e XIX, os vários termos empregados
para os destilados de cereais significaram, basicamente, a palavra
vodka.
A partir de
1731 o termo vodka começou a ser acusado para distinguir a bebida
destilada dos vinhos de uvas.
O termo vinho
de cereal (Khlébnoe vinó) aparece pela primeira vez em 1653 e
torna-se a expressão usada para designar o destilado de cereal, a
vodka.
Concomitantemente, o termo goriáchtchee vinó surge no século XVII
significando o vinho que tem a propriedade de queimar. Este nome,
entretanto, não se fixou na língua russa.
Outros termos
surgidos na metade do século XVII se referem à bebida vodka e seus
produtores, tais como vinho russo (rússkoe vinó) e vinho de
centeio, em referência a matéria-prima utilizada na produção da
vodka.
Em 16 de
fevereiro de 1786 o estado russo garante à nobreza, via decreto, a
permissão para efetuar a destilação, marcando o afastamento do
governo da produção da vodka.
Este decreto
confirma o processo de descentralização da produção de vodka,
processo este que se desenvolvia desde o início do século.
Progressivamente o povo deixou de chamar a vodka de vinó.
Este processo
foi mais intenso na época de Pedro, O Grande, quando a baixa
qualidade da bebida fez surgir nomes que denegriam sua imagem.
Desta feita, uma destas denominações foi "vodka de Pedro". Neste
sentido, sabe-se que a bebida não era digna do nome "vinho de
cereal"; não passava de "água de Pedro" ou ainda, "aguinha de
Pedro", de maneira pejorativa.
Vários termos
técnicos e industriais foram utilizados para designar a bebida
destilada e sua qualidade.
A partir do
produto obtido no primeiro estágio da destilação do fermentado do
mosto original de cereal, denominado raka, se reproduziam:
Vinho simples
(Prostóe vinó) - destilado a partir da raka, ou seja, a partir da
dupla destilação do álcool, pois a raka já era o produto da
primeira destilação. Era o principal produto intermediário usado
na produção do vinho de cereal conhecido como polugar.
Polugar -
obtida pela diluição do vinho simples na proporção de três partes
para uma de água.
Pénnoe vinó -
a melhor variedade de vodka obtida a partir do vinho simples.
Obtida a partir do volume de raka de melhor qualidade (um quarto
ou um quinto do volume total de raka) e de alto teor alcoólico.
Diluem-se 100 partes desta raka em 24 partes de água pura.
Valorizada por sua pureza, suavidade e paladar agradável.
Outros
estágios do vinho simples eram diluídos em água, produzindo
variedades mais fracas e baratas de vodka:
Vinho
triplamente testado (Triokhpróbnoe vinó) - vodka obtida pela
diluição de 100 partes de vinho simples com 33 partes de água. O
vinho simples utilizado aqui era o que sobrava depois da primeira
destilação da raka, portanto, o produto era de qualidade inferior.
Vinho
quadruplamente testado (Tchetiriokhpróbnoe vinó) - destilado ou
mais aguado, cem partes de vinhos simples com 50 baldes de água.
Vinho
duplamente testado (Dvukhpróbnoe vinó) - obtido pela diluição de
100 partes do destilado original do mosto (sem a separação da
melhor parte, a raka) com 100 partes de água. Era conhecido como
"vinho de mulher".
Vinho duplo
(Dvoinóe vinó) - obtido pela destilação do vinho simples, ou seja,
a bebida produzida na tripla destilação, de raka a vinhos simples
e a vinho duplo.
A "destilação"
era uma garantia de qualidade e o teor alcoólico do vinho duplo
variava entre 37% e 45% do álcool por peso.
Vinho triplo
(Troinnóe vinó) - preparado a partir do vinho duplo, que era
novamente destilado. Assim, a bebida destilada quatro vezes era
considerada como altamente refinada para consumo doméstico. Na
forma não diluída possuía teor alcoólico de 70%. Era a base
clássica para a preparação de vodka através da adição de água.
Vinho
quadruplo (Tchetvernóe vinó) - bebida altamente depurada, este
produto de quíntupla destilação tinha teor alcoólico entre 80% e
82%.
Os termos
associados à vodka demonstram que o desenvolvimento das bebidas
alcoólicas na Rússia seguia para a vodka, que era obtida pela
diluição do destilado em água. O contexto histórico e social
aponta para a produção da vodka, já que era hábito o consumo de
bebidas diluídas em água.
A primeira
referência ao uso oficial do termo vodka data de 1751 e só
reaparece por volta de 1900 quando da reintrodução do monopólio
estatal sobre a produção e venda da bebida.
Como
mencionado anteriormente, a palavra vodka até o século XIII
significava água e, mais tarde, teve seu significado alterado, até
ser aplicada à bebida nacional russa.
Uma das
primeiras aplicações da palavra vodka foi na medicina e/ou na
farmacologia, quando se diluíam infusões medicinais em água; eram
as tinturas em água ou vodkas.
Assim, o termo
vodka fazia parte também da terminologia médica e demorou a que
seu uso passasse a designar uma bebida alcoólica.
Portanto,
pode-se compreender que no século XVI a palavra vodka estava
presente tanto nos remédios quanto nas bebidas alcoólicas. Era
vinó como bebida e vodka como remédio.
No final do
século XVIII, o médico e cientista N. M. Maksiniovitch - Ambovik
aplicou o termo vodka a três tipos de bebidas: vodkas destiladas
(vódki peregnánnie), vodkas temperadas (vódki nastóennie) e vodkas
doces (vódki sládkie).
No princípio
do século XIX, a palavra vodka passou a designar apenas as vodkas
aromatizadas, enquanto a variedade comum, incolor, ainda era
conhecida como vinó. Paulatinamente o termo foi adquirindo seu
significado de bebida alcoólica até figurar oficialmente na língua
russa, no dicionário de 1872, como sinônimo de vinó e como
diminutivo de vodá.
Até a
introdução do monopólio de 1902, as duas palavras foram utilizadas
para designar a bebida: vodka e vinó. A partir de 1902 a vodka
passou a ser assim chamada quando apresentasse teor alcoólico de
40%.
A fórmula
empregada na produção da vodka era a mistura de 50% de álcool e
50% de água, produzindo uma bebida com 41% a 42% de álcool por
peso.
Esta proporção
foi proposta pelo químico Mendeleiév que observou que quando o
álcool é misturado à água, o volume total de líquido é reduzido.
Assim 1 litro de vodca a 40% deve pesar 953 g.
A partir de
1894/1896 a vodka russa passou a ser definida como uma bebida à
base de cereal, triplamente destilada e depois diluída com água
numa concentração de 40% por peso.
É o padrão da
vodka nacional russa.
A produção de
vodkas de altíssima qualidade era voltada exclusivamente para o
consumo da nobreza russa.
Entretanto, o
interesse mercantilista propiciou o aparecimento de vodkas
inferiores, fabricadas a partir de batata ou beterraba, voltadas
para o consumo de massa. Enquanto isso, as vodkas de centeio eram
consumidas pelos nobres ou exportadas para a Alemanha.
Este contexto
forçou a reintrodução do monopólio sobre a vodka em 1902, com o
objetivo de manter seu alto padrão. Este 4º monopólio durou até
1917, ano da Revolução Russa.
Entre 1917 e
1923 a produção e a venda da vodka foram totalmente proibidas.
De 1924 a 1936
era permitida na Rússia a venda de bebidas alcoólicas leves como o
vinho, a cerveja e as vodkas com teor alcoólico de até 20%.
A partir de
1936 a venda estatal de bebidas alcoólicas apresentou grande
expansão, principalmente de vodka. Este fato levou ao aumento do
consumo até 1940.
Após a Segunda
Guerra Mundial a população russa apresentou elevados índices de
embriaguez. Este período se prolongou até a década de 1970 e foi
encarado como um grave problema social.
Finalmente, a
solução da embriaguez se volta para a vodka em si, ou seja, na
melhoria de sua qualidade e no aumento de preço. |