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A vodka, a popular bebida branca,
está sendo produzida por um bocado de marcas não só provenientes
da ex União Soviética. Além disso, os produtos chegam renovados
com sofisticados sistemas de destilação e campanhas publicitárias
vanguardistas.
Com a explosão gourmet em escala
global, chegou o boom dos bares sofisticados na América Latina. De
fato, bares com muito movimento de gente jovem parece ser um dos
sinais da globalização nas grandes metrópoles do novo século.
Cidades como Buenos Aires, que até agora não se caracterizava por
ter bares particularmente nutridos (em contraste com sua
impactante variedade de vinhos), hoje contam com propostas cada
vez mais variadas.
Sem falar nos centros urbanos mais
importantes do Chile, México ou Brasil, que historicamente contam
com uma longa tradição no consumo de destilados e bebidas
derivadas, e agora as possibilidades são maiores com atrativas
propostas gourmet. Para estes países, esta moda é uma via de
escape (ou uma variante, dependendo da visão) ideal para seus
clássicos Piscos, Margaritas e Caipirinhas.
Tanto no marketing como na sua
elaboração, uma das bebidas brancas que mais se sofisticou
recentemente é a vodka. As classes de vodka mais refinadas na
atualidade se fazem com trigo de inverno - o que faz que, ao menos
do ponto de vista técnico, alguém possa assimilar esta bebida como
um whisky de grão que não passou por um tonel de cobre -. No
entanto, no leste da Europa são preparados com batatas, e se sabe
que em épocas difíceis a vodka é elaborada praticamente com
qualquer coisa. Assim como os argentinos reclamam para eles o dito
"todo bicho que caminha vai parar na grelha", no nordeste da
Europa se pode dizer que "toda proteína vegetal vai parar num
alambique".
Para a vodka não são pedidas grandes
destrezas no sabor, nem muito menos de aromas. Quando falamos de
qualidade neste tipo de bebidas, falamos fundamentalmente que são
límpidas, muito puras, grossas ao contato com a língua,
equilibradas e, principalmente, nada agressivas ao trago - algo
difícil de alcançar se considerarmos os 40, 45 graus de álcool que
elas possuem.
Ainda que a bebida tenha nascido na
Polônia, ela é associada à Rússia por questões culturais. Foram os
russos que difundiram a vodka no ocidente, e são eles os
principais consumidores. Tomam a bebida em grandes quantidades
como se fosse água, se precisassem, jamais fariam com a água. A
vodka que fabricam para o mercado interno pode ter um grau ainda
maior do que o exportado para o resto do mundo. Aqueles que
visitaram a terra de Pushkin dizem que vale a pena saborear esses
milagres etílicos, mas um pouco de prudência é aconselhável.
Quando o assunto é esse, as marcas
elaboradas de vodka são especialmente enfáticas e suscetíveis na
recomendação do consumo responsável. Stolichnaya, produzida na
Rússia, é um claro exemplo de vodka russa de exportação. Sua
nobreza e equilíbrio confirmam as razões pelas quais o país é
associado a esta bebida.
Suecia foi incluída no pedestal das
vodkas mais famosas do planeta com um marketing e um produto
adequado aos padrões de excelência mais altos. A marca Abslout
produziu uma campanha publicitária com uma qualidade de desenho e
artistas sem precedentes. Suas peças gráficas assinadas por Keith
Harring, Andy Warhol e dezenas de artistas de vanguarda são
algumas de suas marcas registradas. E a verdade é que, com um
desenho de garrafa tão estiloso, quase boticário, muitos se
perguntam se é necessário falar de seu conteúdo. No entanto,
Absolut é uma vodka de qualidade adequada ao luxuoso marketing que
a envolve.
Na região de Cognac, França. É
elaborada a Grey Goose, outra concept vodka que desponta no
delicado mercado gourmet. Neste ambiente é a grande sensação do
momento, e disputa mercado com as marcas mais sofisticadas.
Finlandia, por sua vez, é o nome de uma vodka muito pura que leva
o nome de seu país de origem. Esta vodka é elaborada através de um
sistema de destilação contínua (o mesmo que a Absolut), que
resulta em uma bebida muito fresca e equilibrada.
Qualquer uma destas vodkas podem ser
servidas puras, bem geladas, em copos pequenos, de maneira a
perceber seu alto grau de refinamento. Ao mesmo tempo, são muito
práticas para a elaboração de coquetéis. Pra começar, são usadas
praticamente em qualquer drink clássico que se prepara com gim.
Este emprego substituto e subalterno, não é a meu ver o melhor
tratamento que pode receber uma boa vodka nem um bom comensal;
tempos atrás, pedir este tipo de drink equivalia a ser punido com
um olhar pejorativo por parte do barman.
No entanto, hoje isso é bem visto e
até faz parte das alterações decorrentes. A segunda possibilidade
consiste em adotar a vodka como ingrediente etílico essencial para
os drinks combinados com sucos de frutas. Em geral, resultam em
coquetéis muito refrescantes, e, em particular com suco de abacaxi
deu a alguns personagens de Kingsley Amis a perfeita desculpa, não
só para tomar além da conta, como também para se manter em estado
ad eternum.
Por último, a oferta de vodka
tradicional está sendo agregada com vodkas aromatizadas, com
infusões de, virtualmente, o que quer que seja. Quase todas as
marcas mencionadas oferecem variedades das mais atrevidas, e é uma
questão pessoal aprovar ou não estas alterações e decidir quais
são degenerativas e quais oferecem um novo leque de
possibilidades.
Federico Fialayre / Terra
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